
Manuela Shiraishi, 24, é artista visual, idealizadora brisante, professora de yoga, caiçara do litoral paulista, com descendência japonesa. Sua prática artística nasce do encontro entre sensibilidade, ancestralidade e natureza.
Embora tenha crescido sem se reconhecer como artista, foi por meio de um curso de desenho que a despertou para sua capacidade de observar, criar e se expressar. A partir desse encontro, iniciou uma pesquisa guiada pela experimentação, descobrindo também uma herança criativa presente em sua própria história familiar, ao reconhecer seus bisavós como artistas.
Aos 19 anos, mudou-se para a Austrália, experiência que ampliou seus horizontes e transformou sua maneira de perceber o mundo. Foi nesse percurso, entre travessias pela Ásia e Oceania, que germinou o desejo de criar não apenas obras, mas também espaços férteis para a arte acontecer, lugares que fortaleçam artistas e possibilitem processos criativos vividos com dignidade, liberdade e troca.
Sua pesquisa transita entre o detalhe minucioso, e uma linguagem intuitiva e fluida. Do traço preciso ao movimento espontâneo, suas pinturas buscam revelar os fluxos da existência, criando imagens que evocam transformação, presença e movimento.
Interessada nas relações entre seres humanos, natureza e ancestralidade, Manuela compreende a natureza como uma sábia anciã, fonte de conhecimento, metáfora criativa e aprendizado constante. Seu trabalho convida à contemplação e à lembrança de que fazemos parte de uma mesma trama de vida, onde unidade e diversidade coexistem. Ao dar forma a outras maneiras de existir, busca também ampliar as possibilidades de nos reconhecermos e redimensionarmos nossa própria presença no mundo.